Se maio é o mês das noivas, 2010 é o ano dos casamentos e chás de panela. O moço das lojas americanas, do departamento de cozinha, mesa e banho, já até me conhece pelo nome. Basta me ver de longe que já acena e pergunta qual o casal da vez para acessarmos a lista de presentes. E ainda que o orçamento reclame, meu coração se enche de felicidade ao ver amigas e amigos tão queridos juntando as escovas de dente. Inaugurar uma vida a dois não é coisa fácil (disso todos temos certeza), mas certamente há nisso muitas alegrias. O padre de um dos casórios, protagonizando a cerimônia mais incomum que já testemunhei, perguntou ao noivo por que ele tinha escolhido aquela mulher para estar com ele no altar. A resposta? “Porque eu sinto falta até das brigas dela”. E continuou listando alguns defeitos que ele já bem conhecia e ainda assim a queria para estar ao seu lado. Romantismo e suspiros femininos à parte, achei essa a mais corajosa das respostas. Saber sobre aquele com quem se dividirá alianças ou lençóis, conhecendo suas ‘segundas e sextas’, e ainda topar a parada, é a prova real que se faz no fim das contas. Depois o padre repetiu a pergunta para a noiva. Ela disse que admirava o futuro esposo porque ele estava sempre tentando ser uma pessoa melhor. Aí entendi que a mais corajosa das respostas ficava capenga sem isso. ‘Gostar do outro do jeito que ele é’ é regra fundamental para que uma união seja possível, mas é também preciso que cada um cuide para não estagnar naquilo que desagrada. Troço pra lá de complicado, que vai se fazendo nas pactuações e conversas do dia-a-dia, dividindo. Por enquanto, eu prefiro continuar admirando os casamentos da “platéia”, mas é nesse clima de declarações de amor (chegando, inclusive, a virar tema recorrente nos blogs que mais freqüento – viu, Lena, também sou sua leitora assídua, não é só o Vitor, não!) que encerro esse post. Encontrei um moço que mora a quilômetros de distância, que chama cerveja de “breja”, que jura que Rage aganist the machine é a melhor banda dos tempos e comete a blasfêmia de dizer Beatles é ruim, e ainda assim me fez gostar muito dele. Outro dia me deu de presente um cd de músicas brasileiras com versões instrumentais muito originais. Ok, me convenceu: já está procurando ser uma pessoa melhor. Mas pra gostar de Chico Buarque acho que ainda leva duas, três encarnações. Não tem problema, gosto muito dele, mesmo assim.
foto: Lena Fialho


























