
Nem sei quando os emails se tornaram um mal necessário, mas desses novos recursos, é o que mais me agrada. Lembro das cartas escritas à máquina que eu e minha prima trocávamos, da folha datilografada de preto e vermelho, do tempo que levava pra chegar e que chegava quando menos esperávamos. Não tem coisa melhor que carta de correio. Mas confesso que me rendi aos encantos da modernidade e sua pressa de coelho da Alice. Mandar um recado escrito para terras distantes e ter resposta no mesmo dia foi um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade. Depois que o email foi libertado das assinaturas e democratizado, se tornou uma ferramenta indispensável. Eu não fui fiel a meu primeiro endereço, mas estou com o mesmo (e só com ele) já faz alguns anos, o que significa que ele guarda muitas relíquias.com. Tive uma boa surpresa esses dias quando abri minha conta e descobri que agora posso organizar tudo em pastas. Já era hora do programador me ajudar a dar uma arrumadinha em tantos recados, textos, notícias, piadas, afetos e um mundo de coisas que passou por ali. Essa sim foi uma grande viagem pelo passado, e toda ela documentada. Encontrei histórias riquíssimas, algumas que minha memória já tinha enxugado. O mais interessante é que cada uma era contada em primeira pessoa, estava escrita pelos próprios personagens que as viveram, falavam daquele momento. As viagens, as mudanças, os eventos, os encontros, o que já passou, o que era tão vivo, as discussões, as descobertas. Foi como abrir um baú com mil pedaços de lembrança. É claro que depois muitas horas revisitando o passado ele foi ficando chato, cansativo, fui atravessando frases sem dar muita conta do que estava escrito. Era hora de voltar à caixa de entrada e ver as mensagens novas que tinham chegado.
foto: Google imagens













