Duas cenas de roubar palavras por dois grandes diretores. Um casebre de madeira, umas primeiras notas de caixinha de música, um lençol branco desprendido do varau revelando a poeira de um carro na estrada. A moça vai pra dentro de casa, o pai molha o rosto com grosseria, uma tensão aparece. De dentro do carro, um general de sorriso farto, de gentileza fina, de muitas delicadezas. E a conversa segue civilizadamente preocupante. O pai não faz um gesto além, não lhe sobra expressões. Apenas quando o pior acontece, e antes dele uma espera torturante, os olhos ficam rubros e transbordam de expressões e lágrimas. Somente os olhos. Se essa enorme cena tivesse nome, se chamaria angústia.
Os olhos deixaram de ver, ficaram tristeza. E no caminho da estrada, uma praia, uma parada, duas descidas – o menininho lhe guia pela mão até a chegada na areia. Nenhum dos dois conhecia aquele mar: o menino, mar nenhum conhecera antes, e ele, nunca experimentara como naquele momento o vento, a maresia, o barulho dos cachorros, as lembranças. Pipas voando, menino correndo, ele sentindo. E então não precisa de palavra – é sensação. É a cena mais bonita, se chama liberdade. Os filmes? Quais eram? E de quem? Nem preciso dizer.
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