terça-feira, 25 de maio de 2010

Primeira pessoa

Uma amiga blogueira me fez um convite para escrever sobre seis coisas que as pessoas não sabem sobre mim. O passo seguinte seria escolher outros amigos e passar a proposta adiante. Fiquei pensando que esses pequenos trechos que deixamos nessa página virtual acabam tendo mil e uma coisinhas que dizem sobre a gente. E, no fundo, é sempre isso mesmo que acontece: uma fala em primeira pessoa (mesmo essa fala sendo feita de muitas vozes), contando sobre nossas afetações, sobre histórias que ouvimos, que participamos, que imaginamos... Escolher apenas seis coisas é que talvez seja a tarefa mais difícil. Mas é no clima revival (acabei de ver “Apenas o fim”, praticamente um compêndio da nossa ‘infânciadolescência’, com um roteiro muito divertido e original) que escrevo esse texto. Quem nunca respondeu ao famoso “caderno de perguntas” que rolava na sala enquanto o professor explicava equação de primeiro e segundo grau?

1- eu consigo ficar na parada em dois apoios (popularmente conhecida como “plantar bananeira”) por mais de 10s;

2- já encontrei tanta gente querida nessa vida que me sinto com uma sorte que ninguém mais tem;

3- adoro comprar caderno. Não me pergunte por quê;

4- toda vez que alguém me fala que fulano ganha um salário absurdamente grande, eu digo que, se fosse comigo, trabalharia três meses, pegaria o dinheiro e ia viajar pelo mundo;

5- pra mim, rir e fazer rir foram as melhores invenções do homem;

6- todas as histórias que escrevo aqui são verdadeiras. ‘Só 10% é mentira’.

Bele, obrigada pelo convite! Passo a bola pra Lena, Laurinha, Lívia e Vitor!


sábado, 8 de maio de 2010

Mesmo assim

Se maio é o mês das noivas, 2010 é o ano dos casamentos e chás de panela. O moço das lojas americanas, do departamento de cozinha, mesa e banho, já até me conhece pelo nome. Basta me ver de longe que já acena e pergunta qual o casal da vez para acessarmos a lista de presentes. E ainda que o orçamento reclame, meu coração se enche de felicidade ao ver amigas e amigos tão queridos juntando as escovas de dente. Inaugurar uma vida a dois não é coisa fácil (disso todos temos certeza), mas certamente há nisso muitas alegrias. O padre de um dos casórios, protagonizando a cerimônia mais incomum que já testemunhei, perguntou ao noivo por que ele tinha escolhido aquela mulher para estar com ele no altar. A resposta? “Porque eu sinto falta até das brigas dela”. E continuou listando alguns defeitos que ele já bem conhecia e ainda assim a queria para estar ao seu lado. Romantismo e suspiros femininos à parte, achei essa a mais corajosa das respostas. Saber sobre aquele com quem se dividirá alianças ou lençóis, conhecendo suas ‘segundas e sextas’, e ainda topar a parada, é a prova real que se faz no fim das contas. Depois o padre repetiu a pergunta para a noiva. Ela disse que admirava o futuro esposo porque ele estava sempre tentando ser uma pessoa melhor. Aí entendi que a mais corajosa das respostas ficava capenga sem isso. ‘Gostar do outro do jeito que ele é’ é regra fundamental para que uma união seja possível, mas é também preciso que cada um cuide para não estagnar naquilo que desagrada. Troço pra lá de complicado, que vai se fazendo nas pactuações e conversas do dia-a-dia, dividindo. Por enquanto, eu prefiro continuar admirando os casamentos da “platéia”, mas é nesse clima de declarações de amor (chegando, inclusive, a virar tema recorrente nos blogs que mais freqüento – viu, Lena, também sou sua leitora assídua, não é só o Vitor, não!) que encerro esse post. Encontrei um moço que mora a quilômetros de distância, que chama cerveja de “breja”, que jura que Rage aganist the machine é a melhor banda dos tempos e comete a blasfêmia de dizer Beatles é ruim, e ainda assim me fez gostar muito dele. Outro dia me deu de presente um cd de músicas brasileiras com versões instrumentais muito originais. Ok, me convenceu: já está procurando ser uma pessoa melhor. Mas pra gostar de Chico Buarque acho que ainda leva duas, três encarnações. Não tem problema, gosto muito dele, mesmo assim. 

foto: Lena Fialho