sábado, 18 de julho de 2009

Sorte


Eu ouvi uma história que, se não fosse pela grande credibilidade da fonte, nunca iria acreditar. Um cara estava indo trocar um ventilador que havia comprado no shopping, quando foi abordado por uma câmera, um microfone e um sujeito fazendo as seguintes perguntas: “você tem uma nota fiscal com valor acima de cinqüenta reais?”, e, diante da reposta positiva, “você gostaria de ir para Nova York agora?”. O shopping estava fazendo aniversário e lançou essa promoção: cobriria a viagem para quem atendesse ao critério da nota e topasse a proposta. Ele teve direito a comprar algumas roupas, dar um telefonema, e, direto do segundo andar, perto da praça de alimentação, seguiu para os Estados Unidos. Com tudo pago, para passar o final de semana. E essa não era a primeira vez que ele ganhava algo. Na verdade, era uma entre tantas. Ingressos, brindes, eletrônicos, a nécessaire do sorteio da excursão. Diante desse fenômeno de quatro folhas, a conclusão a que se chega é inevitável e unânime: ele é um cara de sorte. Mas a sorte não é tão chegada ao acaso quanto a gente pensa. O que ele fazia era se inscrever em tudo que era promoção, ou seja, convidava a sorte a entrar. Às vezes, ela até fazia visitas surpresa, como aconteceu no shopping. Mas em outras, em muitas outras, tinha mesmo que agradecer aos cupons, às embalagens reunidas, aos selos, às inscrições. Ele investia nas possibilidades, e é nesse plano que as coisas acontecem. Dão certo, não dão, fica pra próxima, tá aprovado – as respostas são muitas, mas uma delas pode ser a que se espera. A gente se arrisca muito pouco; talvez por isso, ganhe pouco também. Meu pai sempre conta a historinha de um senhor que, assim que chegou no céu, foi fazer uma reclamação a Deus. Disse que tinha sido um bom homem a vida inteira e que durante toda ela fez um único pedido, o qual nunca havia sido atendido. “Eu queria ter ganhado na loteria; isso teria ajudado muito minha família”. E então Deus, reconhecendo o merecimento do homem, respondeu: “Não há dúvidas quanto a isso. Mas você nunca jogou”.

foto: (por Danny Rossi) Google imagens

4 comentários:

Vitor disse...

Opa, primeirão!
Esse papo de sorte e comprar bilhetes me lembra o Sílvio Santos, dizendo que só ganha na Tele Sena quem compra. Claro. Mas isso não faz a chance ser grande. Só a torna possível. Tem uma teoria, que eu não sei o nome, mas é uma questão probabilística: você pega as peças de um relógio. Se considerar que elas tem uma área restrita para cair e que as peças tem um forma específica de cair e uma ordem específica, em uma dessas buzilhões de combinações, um será a do relógio montado. bom, nem por isso você vê pessoas jogando relógios desmontados por aí, né? O que quero dizer com isso? Que não jogo na loteria. Adoraria ficar rico da noite por dia, mas prefiro esperar que uma matela de dinheiro legal e sem dono aparecesse no quinal de casa, ou que um rico generoso se encante com um texto meu e queira comprá-lo por uma pequena fortuna, ou que algum parente ganhe na loteria e queira me dar uma bela soma. São todas possibilidades muito, mas muito remotas mesmo, mas talvez juntando a chance delas acontecerem, seja algo semelhante à chance de eu ganhar na loteria. Masssss, com a vantagem de serem grátis! ahahahahahah
Beijos, Lu.

Lu disse...

Sorte foi só um pretexto pra começar o texto. Eu ainda prefiro acreditar no trevo de três folhas e em fazer apostas no mundo. Mas um outro tipo de apostas que marcar números. Embora aquela historinha da loteria seja uma boa metáfora!!!
Um beijão!

Façanha e Desventuras disse...

Que sorte ter me encontrado com esse texto hoje!!!
Vamos arriscar, Lulu!? Botar nossas pipas pra voar!

Lu disse...

vamos!!!