
Às vezes gastamos horas tentando achar a palavra. Montamos discursos inteiros, desfiamos longas conversas, trocamos idéias em papos de esquina, e nada. Então ligamos pras amigas próximas, as do serviço auditivo gratuito 24 horas, e pedimos conselhos. Mas antes deles, falamos, falamos muito, falamos mais. E debaixo do chuveiro chegamos a algumas conclusões, mas sempre inconclusivas, é claro. Num dia de má sorte em que amiga não está em casa, ninguém atende o celular, nenhuma visita lhe aparece, acumulamos palavras que encheriam um dicionário. Aí escrevemos longas respostas, refletimos sobre cada detalhe, vez ou outra nos permitimos até falar em voz alta. Mas por fim elas acabam transbordando o pensamento solitário e é quando precisamos com urgência de um interlocutor de tarja preta. Como paliativo, vale até o vizinho de elevador, só para dizer alguma coisa, que o tempo está doido, reclamar da chuva ou do calor, mas ouvir outra voz. E esperar que ele pergunte se está tudo bem, para então continuarmos a falar daquilo que ficou entupido na cabeça e não sai. Então, creio eu que para ter um pouco mais silêncio na Terra, Deus manda lá de cima a palavra. Que nem sempre é uma palavra, mas não chega a ultrapassar uma frase. Pronto, era isso. Dá até um alívio do peito. E depois de tantos ditos por não ditos, às vezes o melhor mesmo é não dizer nada.
foto: lu franco
Um comentário:
Qd for assim, liga o MSN !! sempre tem um amiguinho online rsrs :)
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