Eu sempre fico triste quando preciso me despedir. Não nas despedidas corriqueiras, nos “até logos”, porque nestes ‘o tempo se conta em dias, não em anos’. Mas quando o tempo anuncia que a tarde será uma longa estação de espera, aí sinto meu coração apertar. Ainda não descobri como se faz isso – dizer adeus sempre me convoca a uma certa descompostura, a uma desmedida que a cada vez tento dosar melhor. Mas não é algo que seja fácil de se fazer, isso não é mesmo. Saber que algo se encerra, ter que escutar a ausência são tarefas árduas, mas que de alguma forma precisamos dar conta. A minha conta costuma ser uma integral das mais complicadas, onde se faz e refaz os cálculos, discute-se os resultados controversos, inventa-se uma outra teoria. É um processo que leva tempo, aquele tempo doído que deixa as tardes longas. Mas se é assim tão difícil perder, é porque os encontros foram bons, produziram bons afetos, deixarão boas lembranças. Vai ver que esta é a lição me cabe: senti-los como presença, não como falta. Finais definitivamente nunca foram a minha especialidade. Quem sabe um dia eu até
"Despedir dá febre". Guimarães Rosa
foto: lu franco
"Despedir dá febre". Guimarães Rosa
foto: lu franco
3 comentários:
E eu te pergunto, pequenina: porque diabos você não pode sentir-se mal com aquilo que falta?
Menos pretenciosamente (!!!) falando, a gente vive numa busca incessante pela melhor forma disso ou daquilo, como um imperativo, "seja feliz". Particularmente isso me incomoda. Temos que buscar "melhorar" para não sofrer?
Dê um pulo em
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Gostei muito desse.
Êta sentimentozinho ruim esse que se costuma ter nas despedidas, hein. Eu detesto!!! Sempre acho que há alguma maneira de burlar a "hora de dar tchau" rsrs
Despedidas tem feito parte da minha de um tempo pra cá. Mas é isso, saber q eh importante fechar ciclos e começar outros. "O trem que chega é tb o trem da partida, A hora do encontro é também despedida..."
Não eh nada facil, mas sentir como presença e não como ausencia pode ser realmente o segredo.
Cada um que passa deixa um pouco em nós e carrega um pouco de nós...
Ai ai, Lu
Saudade apertada!
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