domingo, 21 de março de 2010

Por nada

inspirado numa conversa de um dia cansado com a Lívia

Tem dias que são emperrados. Talvez o domingo tenha levado a fama por estar mais desatado dos compromissos da semana, deixando as horas à nossa própria programação. Se Deus descansou no sétimo dia, por que nós, pobres mortais que não vivem em São Paulo, haveríamos de trabalhar? Mas são nesses dias de agenda livre que se corre um grande perigo, o perigo tentador do ócio. Não o ócio por livre arbítrio ; às vezes é preciso decidir por não fazer nada - fazer nada e deixar vir um sono, fazer nada na frente da tv, fazer nada por cinco minutos. A vida anda tão cheia que às vezes temos que nos esvaziar. Mas o ócio que emperra o dia... esse sim é uma maldição. Tudo fica com começo e sem conclusão, os minutos passam como relâmpago e inacreditavelmente você continuou sem fazer nada. Uma manhã inteira ocupada por nada. Uma tarde inteira ocupada por nada. Uma frase inteira ocupada por nada. Nada. É claro que esse nada também é feito de algo, mas é o mesmo que achar sentido em discurso de político. Bom, nada por nada, pelo menos esse dia emperrado rendeu um post.
 
foto: lu franco