Eu acho. Extremamente cansativas são aquelas centenárias ‘árvores genealógicas’, que resgatam os tantos nomes que nos antecederam na vinda a este mundo. Muito mais interessante seria se relatassem aquelas inconfundíveis miudezas que foram passadas de geração a geração, como um calinho no indicador do pé direito, como o da sua mãe; a covinha que veio de um lado só, que você encontra também num primo; ou a pontinha redonda do nariz, exatamente como a pontinha arredondada do nariz da sua avó. Ou ainda uma mania incorrigível de toda hora trocar tudo de lugar, como fazia aquela tia das histórias engraçadas; a organização funcionário público com livro de ponto expediente protocolo, que você acha nas pastas organizadas por título e subtítulo no armário do seu pai; ou aquela formigante vontade de dar uma implicadinha, que alguém jura de pés juntos que era igual a do seu bisavô. E se nesse molde inovador eu fosse fazer minha árvore, teria tantas heranças curiosas para incluir no inventário que daria para escrever um livro. Mas vou aqui me dedicar a uma delas, que dessa vez escorregou na horizontalidade.
Para que um dia eu consiga chegar perto de ter um coração generoso como o dele, ainda me falta uma longa jornada. Mas se há algo que muito nos aproxima é uma ligeira e característica distração. Aquela coisa boba, de que você tá lá, aí se distrai e, quando vê, esqueceu alguma coisa. Esqueceu, trocou, fez a mesma coisa duas vezes, perdeu, foi procurar, esqueceu o que tava procurando, e, classicamente, precisou voltar em casa pra pegar... o que mesmo? Ah é! Isso! Como podia esquecer... Esse jeito ligeiramente distraído já nos rendeu histórias quase inacreditáveis. Seriam, se não fôssemos nós que estivéssemos contando. É claro que é sempre ao toque de cada um, afinal, na igualdade, temos lá nossas diferenças – talvez ele se distraia porque é muito acelerado e eu, porque preciso de um tempo maior. Mas algo valioso que aprendi com esse irmão foi dar boas risadas disso que, nos dias de tempo ruim, poderia chatear. Eu adoro quando, no almoço de domingo com a família reunida, meu irmão conta uma dessas peripécias do esquecimento, começando assim: “Tenho uma história sensacional pra contar”. E ele conta, rindo de seus próprios tropeços, histórias sensacionais. Sem elas, não, o almoço não teria tanta graça. Um beijo para meu querido irmão Bruno, que além de ser esse irmão sensacional, ainda lê meu blog e reclama quando não tem texto novo! Amo você!

7 comentários:
tsc, sua família é tão mais legal que a minha.
hahahah. sacanagem.
Então, no comments. Na verdade, esse post, pra mim, tem endereçamento estreito e vou deixar você e o Bruno com suas familiaridade.
Beijos.
minha família é incrível mesmo, eu admito!
não, não dispenso seus comentários, manda aí as associações livres!
vão achar que eu visito seu blog pra economizar na análise...
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA!
Nossa, Lulu! Viajei aqui na minha árvore! rsrsrs Seus textos, como sempre muito bons! Com a leveza precisa e gostinho de quero mais! Beijinho, flor!
Que bom receber suas visitas de novo, Bele! Beijos pra ti!!
Minha querida irmã, depois de já ter lido esse texto uma dezena de vezes, finalmente deixo aqui o meu singelo comentário.
Sem dúvida, ficou sensacional!!! ;-) Adoro a forma e a facilidade que vc tem para escrever sobre qualquer assunto, cativando o interesse de quem lê cada frase.
A forma como vc descreveu a árvore genealogica é tão original quanto o seu jeito particular de ver o mundo.
Steve Jobs certa vez disse que somente quem consegue ver as coisas de outra forma e acredita que pode mudar o mundo, é quem realmente pode
mudá-lo.
Te admiro muito, irmã!
Beijos,
Bruno
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